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Transmissão Química de dados

8 de setembro de 2010 Deixe um comentário

As informações nos dias de hoje são transmitidas usando os elétrons. Cientistas acreditam que no futuro os dados viajem codificados em fótons. Mas estas não são as únicas alternativas: as informações também podem ser transmitidas por meio de reações químicas. Ou por uma combinação de algumas dessas técnicas.

Cientistas desenvolveram um conceito que permite a transmissão de informações alfanuméricas na forma de pulsos de luz – mas luz gerada por fogo, sem a necessidade de eletricidade. Chamada de “infofusível, a descoberta torna possível desenvolver sistemas de informação e processamento que operem em condições nas quais os eletrônicos e as baterias não funcionam.

O material básico do infofusível é uma fita de nitrocelulose na qual são construídos padrões de pontos feitos com sais de lítio, césio e rubídio. Ao colocar fogo na fita, a chama viaja queimando os pontos um após o outro – daí o nome infofusível, já que cada fusível deve literalmente queimar-se para transmitir a informação. O calor faz com que os elementos químicos de cada ponto emitam luz em comprimentos de onda característicos, permitindo que sejam captados à distância por uma câmera ou por um espectrômetro, mesmo durante o dia. Como os pontos podem conter combinações de três sais diferentes, geram-se sete combinações possíveis de “bits químicos”. Uma combinação de dois pontos eleva essas possibilidades para 49 variações (7 x 7), e assim por diante.

Existem alguns problemas com os infofusíveis são encontrados para que essa tecnologia funcione na prática

1) A chama tendia a se extinguir antes de queimar todos os fusíveis e transmitir todas as informações.

2) O fogo percorre a fita rápido demais. “Seria necessário um infofusível de 2,6 km para transmitir dados por 24 horas,” explica um dos pesquisadores. Isso acontece porque as fitas de nitrocelulose queimam-se a uma taxa de vários centímetros por segundo.

O primeiro caso foi resolvido usando um substrato de fibra de vidro, que não conduz calor de forma tão eficiente. Já o segundo a solução veio na forma de um arranjo de infofusíveis com velocidades de queima diferentes, o que reduziu a velocidade de queima para algo entre 1 e 2 metros por segundo, dependendo do comprimento de cada seção.

Os cientistas acreditam que seja possível desenvolver um sistema não-elétrico e portátil de transmissão de informações que possa ser integrado com qualquer tecnologia moderna de informação.

Bibliografia:

Long-Duration Transmission of Information with Infofuses

Choongik Kim, Samuel W. Thomas III, George M. Whitesides

Angewandte Chemie International Edition

June 17, 2010

Vol.: 49, 4571-4575

DOI: 10.1002/anie.201001582